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O Caminho Frei Galvão foi idealizado por Luiz Zingra e tem nos seus 128 quilômetros as belezas da Serra da Mantiqueira como companhia. A quilometragem relativamente pequena acaba enganando, pois o caminho tem grandes desafios que nos levam a classificar como alto o grau de dificuldade encontrado. O roteiro tem seu ponto de partida na cidade de São Bento do Sapucaí, cidade já conhecida dos amantes de esportes de aventura e fãs da Pedra do Baú e onde também é retirada a credencial que deve ser carimbada ao longo do caminho e na sua chegada em Guaratinguetá(SP), no Museu de Frei Galvão, você receberá o último carimbo e também um certificado.
Durante todo o percurso, além das belas paisagens você terá a companhia das setas azuis que irão guiá-los por todo o caminho. Nossa trupe, para esta aventura, é composta por 5 ciclista integrantes da equipe CICLOSULMINAS de Pouso Alegre, Sul de Minas Gerais.
Saímos da nossa cidade às 6h da manhã, um amigo nos levou até a Pousada Cama e Café em São Bento do Sapucaí, onde retiramos nossas credenciais e começamos nossa aventura. Vale ressaltar aqui a importância da credencial de peregrino, uma vez que ela traz informações detalhadas da rota e também da direito a bons descontos nas pousadas credenciadas ao longo do caminho.
A chuva nos acompanhou durante nossa viagem até São Bento, mas não diminuiu em nenhum momento nossa ansiedade e empolgação, principalmente quando soubemos pelo Luiz Zingra que seriamos um dos primeiros grupos a fazer o caminho de Bike e os primeiros do Estado de Minas Gerais.
Após a retirada das credenciais e de um bom café começamos o nosso pedal ainda debaixo de chuva, nosso objetivo neste primeiro dia era chegar a Piranguçu e pernoitar por lá.
Após alguns poucos quilômetros nossa primeira de muitas subidas. Foram alguns quilômetros de subida com muito barro o que dificultava a pedalada, acabamos empurrando as bikes morro acima e quando pensamos que estava chegando ao fim, a subida se estendia através de uma trilha, o terreno estava tão escorregadio que a ajuda dos companheiros era vital. Mas nossa inspiração era a natureza que nos acompanhava com sua exuberância.
Depois de altos e baixos, porque claro que tivemos algumas descidas fantásticas também, chegamos a Luminosa depois de 5 horas de pedal e apenas 23 quilômetros rodados. Um rápido lanche e continuamos nossa jornada, ainda tinham mais de 21quilômetros com mais algumas boas subidas para chegarmos ao nosso primeiro destino, Piranguçu.
Alguns problemas com o freio de uma das bike acabaram atrasando a galera, chegamos em Piranguçu, na Pousada Casa Branca por volta das 20h. Tomamos aquele banho maravilhoso, comemos uma pizza e cama!
No outro dia acordamos e fomos ver as bikes, era barro que não acabava mais, teve gente que acabou jogando uma água para amenizar a situação com uma caneca porque não conseguimos uma mangueira em lugar nenhum.
Lubrificadas as bikes, regulado os freios, partimos agora tendo como destino a Pousada Lageado em Wenceslau Braz. Neste segundo dia foram 37 quilômetros, que apesar de uma subida brava logo no início da jornada, se revelou bem mais tranqüilo que o dia anterior.
Durante praticamente todo o percurso fomos acompanhados pelas águas do rio Sapucaí, mas o que muito nos cativou neste dia foi a simplicidade e a cordialidade do pessoal do Chalé da Paz, local onde carimbamos a credencial, fizemos um lanche e jogamos um pouco de conversa fora. Os moradores que encontramos pelo caminho, sempre atenciosos, pessoas simples, mas que muito engrandeceram nossa pedalada. No final da tarde chegamos a Pousada Lageado, logo depois de passar pela cidade de Wenceslau Braz, onde iríamos pernoitar.
Nosso último dia começou com um belo café da manhã na Pousada, seguimos então para nosso destino final, neste dia passamos por lindas cachoeiras, uma delas na Fazenda Boa Esperança, onde paramos alguns minutos para contemplar e tirar fotos. Aqui encontramos alguns peregrinos da cidade de Careaçu, eles estavam indo ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida e falaram das dificuldades que encontraríamos pela frente, em especial uma descida de mais de 8 quilômetros.
Agradecemos e fomos em frente, seguindo por um trecho de trilha fechada, passando aqui por vários riachos, e depois de um tempo chegamos então a descida mencionada pelos colegas peregrinos.
A descida é na verdade um caminho de enxurrada por entre a mata, que em virtude das chuvas se mostrava extremamente hostil, era muito escorregadio, com muitos paus e pedras, o que tornava impossível descer pedalando boa parte destes 8 quilômetros. Depois de algumas horas por esta trilha e alguns tombos chegamos ao bairro dos Pilões onde paramos para nos recompor, fazer um lanche e finalizar nossa jornada.
Os 22 quilômetros que restavam foram tranqüilos e logo avistamos a cidade de Guaratinguetá.
Por volta de 17h chegamos ao Museu Frei Galvão, onde fomos recebidos com muito carinho pelos responsáveis do Museu, que por sinal são parentes do Santo. E aqui termina nossa aventura, foram três dias (15/11/2007 a 17/11/2007) de muitas conquistas e superações, retornamos as nossas casas já fazendo planos para a próxima aventura e do Caminho de Frei Galvão, levamos além de muitas fotos, lindas recordações em nossas lembranças.
Texto: Eduardo Augusto Cosa e Roberta Cardoso
Veja as fotos do Caminho do Frei Galvão:
http://picasaweb.google.com/eacosa/CaminhoFreiGalvODeBike2007
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